Que esforço sobrenatural para argumentar que a universidade perdeu rigor científico porque as mulheres hoje são maioria - já que, segundo seu texto, estas preferem ser boazinhas a terem rigor científico. Sério? Fico me perguntando COMO elas se tornaram maioria. Tão curioso. E desonestidade intelectual é característica exclusivamente feminina, masculina, ou essa independe de gênero? Lembro de, nos idos de 1991, na faculdade de Jornalismo, a velha ECA-USP, um colega se levantar no meio de uma palestra e vociferar que a essência do jornalismo estava se diluindo porque o setor estava sendo dominado por mulheres (o que, vejam só, também era verdade).. Rimos muito. Pensávamos que seria da últimas vezes que ouviríamos uma bobagem desse tamanho dentro de uma universidade, esse nível de coitadismo masculino. Nope. Décadas depois, vocês continuam.
Ah, aliás, uma observação muito interessante que confirma plenamente os vieses que frequentemente manifestamos ao pensar num contexto A prejudicando homens ou prejudicando mulheres.
Veja bem, muitas pautas atualmente falam sobre a necessidade de aumentar a quantidade de mulheres em áreas dominadas quantitativamente pelo sexo masculino. Quando fala-se de áreas dominadas pelo sexo feminino, algumas mulheres imediatamente se rebelam, classificando a mera pontuação desse fato sociodemográfico de "coitadismo masculino". Só que não é coitadismo, é a mera explicitação de um fato quantitativo. É como se não só as mulheres mas a sociedade como um todo considerasse uma ofensa a mera citação de um fato.
Esse também é um excelente exemplo de como as mulheres especialmente colocam fatos em segundo plano quando elas entendem que na discussão em questão esses fatos vão prejudicar um grupo vulnerável.
Acompanha comigo. No cenário A, homens estão em maior quantidade. As pessoas protestam, defendem igualdade, defendem métodos diversos pra aumentar artificialmente a quantidade de mulheres até ficar 50/50.
Agora considere o cenário B. Mulheres estão em maior quantidade. Ninguém exige que aumentem a quantidade de homens. Quando o mero fato quantitativo é mencionado, ouve-se brados como "coitadismo masculino!".
A questão aqui não é questionar o número. Você sabe. Quando homens estão em maior número, o que se questiona é se as mulheres igualmente competentes estão tendo as mesmas oportunidades de acesso. Quando as mulheres estão em maior, a competência delas é posta em cheque por uma possível natureza emocional, creditada a uma "verdade biológica inexorável", que colocaria em risco todo o sistema. É uma diferença clara.
Isso que vc falou na verdade seria uma pauta número 2. Sinceramente, eu todo dia vejo pessoas questionando se a menor quantidade de mulheres numa área não seria reflexo de misoginia. Eu ouço isso dos alunos em aula, ouço isso de colegas psicólogos e cientistas sociais, vejo isso em discursos políticos e etc. Então ler seu argumento de que essa não é a questão me soa super estranho.
Não, a questão é que creio que temos conceitos diferentes de misoginia e de combate à mesma. Para mim, o conceito de misoginia passa por entender que essa quantidade muito menor tem muita mais a ver com o gênero ser um critério silencioso de seleção (a misoginia, como o racismo, é muito silenciosa, não consta em editais, mas é muito executada na prática). Combater a misoginia não é simplesmente defender uma porcentagem feminina x, independiente das habilidades. Até porque habilidade é uma questão individual, que não contempla gênero ou etnia, mas muitas vezes, oportunidades. Um bloqueio velado ao acesso - muitas vezes até difícil de ver do ponto de vista masculino, como o branco muitas vezes têm dificuldade de ver seu preconceito. E sim, quando um modo de realizar qualquer atividade é enquadrado como feminino ou masculino, isso é uma distinçäo que tenta dar base lógica a um preconceito.
Eu realmente não creio que vincular pensamento e comportamento ao gênero seja um fato. Creio que existam comportamentos socialmente mais aceitos para determinados grupos, mas não que sejam algo inexorável ou dominante. Em quinze anos dentro da academia, eu já vi todo tipo de postura ética e social de diferentes professores, de ambos os gêneros. Não, nem sempre o das mulheres eram os melhores e mais exemplares. Sem querer nem tentar ser científica ou estatística, eu percebia maiores diferenças entre professores de difereentes nacionalidades que de diferentes gëneros. E creio que em ambos os casos isso é convencional, não determinante.
As diferenças entre acadêmicos são de vários tipos. Mas esse texto é sobre um tipo específico de diferença: as motivações para defender fatos, números e conhecimentos mesmo quando eles são inconvenientes para certos grupos. As mulheres parecem tender mais do que os homens a escolher a parte política em detrimento da epistemica quando percebem algum tipo de ameaça a esses grupos. Isso não significa que todos os vieses acadêmicos se resumem a isso e nem que no geral mulheres sejam mais enviesadas do que homens.
Tanto não argumento por perda de rigor quanto previno o leitor desse tipo de interpretação. Mais mulheres na universidade significa que as regras acadêmicas, ou pelo menos algumas inclinações da instituição, vão ficar mais inclinadas para as preferências e motivações femininas. Isso chega a ser uma platitude, de tão óbvio. Aliás, as próprias mulheres reconhecem isso quando alegam que se o mundo fosse dominado por mulheres não haveria guerras. Isso é o que senão o reconhecimento de que a maior quantidade de um sexo em postos de poder ou sociodemograficamente influencia o funcionamento das instituições? Todos reconhecem isso em contextos argumentativos onde o objetivo é beneficiar o sexo feminino.
Desnecessário aqui argumentar que em momento nenhum também falei de desonestidade intelectual como algo tipicamente feminino. Na verdade, eu nem falei de desonestidade intelectual aqui.
Voltando ao foco: mulheres podem ser rigorosas intelectualmente em relação aos assuntos que não despertam cognição motivada nelas. Por exemplo, as mulheres serão tão boas estatísticas quanto homens -- mas quando essas estatísticas tiverem resultados diplomaticamente complicados, veja bem, talvez não seja tão legal assim fazer esses estudos ou divulgar esses dados porque pode ser tópico sensível para o grupo X.
O meu argumento aqui (na verdade não meu, mas da literatura sobre esse tema) gira em torno de indicar que as mulheres fazem cálculos de custo-benefício diferentes quando elas devem escolher entre análise cega e fria e proteção de indivíduos vistos como vulneráveis.
Se você acha que tudo isso é teoria da conspiração, sugiro que clique nos estudos empíricos linkados toda vez que escrevo textos aqui.
A verdade a qualquer custo ou a empatia parcial? Dando a minha péssima opnião, pior são os indivíduos do sexo masculino que insistem em dizer que as mulheres estão muito promíscuas ou que sempre concordam com opnião de indivíduos do sexo feminino tanto por repressão de comportamento quanto por interesse de troca. Por ainda sustentarem a manutenção de poderes machistas sobre movimentos que promovem a igualdade de gênero. Na academia é essencial haver a liberdade de expressão sem censura. Porém, como menciona a Bruxa que observa ao sul, os meios dignificam as finalidades. Há o fato de que as mulheres representam maioria nos cursos de graduação. Para completar ainda, há também a hipótese da neurociência de que escolhas intelectuais se relacionam com o hemisfério afetivo dos indivíduos. Talvez a contemporaneidade esteja do lado da degeneração. O essêncialismo, com todo respeito, privilegia a manutenção de domínios machistas ou patriarcais. Agora eu vou puxar o Nietzche (sei lá como escreve esse nome em alemão), o idealismo hierarquiza ideias sobre os fenomenos reais. A gente, que está dimensionado dentro do contexto dos fenomenos reais, modifica as ideias e até mesmo as instituições que resguardam qualquer que sejam as ideias.
A tese apresentada não contém essa determinação, tudo bem? Os dados empíricos que foram apresentados na tese ajudam a entender o fenômeno real de modificação da estrutura, da organização acadêmica. Fez bem...
Bom texto, achei breve e bem sintético, é um tema bem espinhoso que se embrenha em vários outros debates, mas gostei. Em outro momento darei uma olhada nas fontes
Muito intressante seu artigo e também muito pertinente. Existe um movimento da cena acadêmica em direção a busca de espaços seguros, respeito a minorias, etc (todas estas reivindicações com mérito) ms causa preocupação até que ponto um dos resultados disto (mesmo que indireto ou inadvertido) coloque em xeque a própria razão da existência de uma universidade: a busca pela verdade.
Sempre achei (uma intuição não embasada) que a causa de tudo isto era uma penetração cada vez maior do ideário de esquerda no ambiente acadêmico mas sua proposta me fez repensar tudo.
E identificar com precisão a causa não é um exercício fútil: é a forma de encontrar formas de reverter esta perversão (ok, palavra muito forte).
A situação atual das universidades se deve a um conjunto muito complexo de fatores. Um desses fatores claramente tem a ver com a diversidade sociodemográfica crescente. Não estou dizendo que a racionalidade é privilégio dos homens, estou dizendo que diferentes grupos, embora igualmente capazes de levar debates analíticos e racionais, estão distintamente motivados a levar a conversa para essa arena. Por exemplo: como digo no texto, mulheres claramente estão mais motivadas em proteger seus pares do que em levar debates racionais às últimas consequências, doa a quem doer.
Em debates na academia e internet afora, percebo que mulheres -- e pessoas de esquerda em geral -- estão muito mais motivadas a debater tendo como objetivo a proteção de algum grupo vulnerável. Elas querem desculpar alguém, encontrar o culpado e puni-lo. É uma ótica mais "humana" de olhar pra complexa dinâmica dos acontecimentos no reino humano.
Eu citei a esquerda aqui não foi por acaso. Pessoas mais politicamente de esquerda -- ao menos de algumas décadas pra cá -- tendem a valorizar imperativos morais relacionados justamente com essa ótica de justiça individual. Digamos que eles estão menos interessados em entender algo factualmente, como uma máquina cujo funcionamento entendemos decifrando a interação entre suas engrenagens, e mais interessados na ótica da justiça. Como se dissessem: tá, isso funciona de um jeito X e Y, mas quem é o culpado e quem é o inocente nessa história?
Previsivelmente, isso muda totalmente a essência da produção de conhecimento acadêmico.
Repito que isso não tem a ver com inteligência, desempenho cognitivo ou racionalidade. Não estou alegando que mulheres são menos racionais. Estão alegando que o aumento de mulheres na academia fez com que os focos das discussões se tornassem menos motivacionalmente masculinos, afinal, agora não são apenas acadêmicos participando das discussões. As motivações de homens e mulheres impactam totalmente o que se discute e as respostas as quais chegamos.
Aliás, um exemplo muito claro disso é a demissão do reitor de Harvard, Larry Summers, se não me engano, depois de ter dito num evento que parte significativa do gap de gênero em alguns cursos se deve a interesse de homens e mulheres e entrarem nesses cursos, não a discriminação de gênero exatamente. Destino parecido teve James Damore, o engenheiro do Google que construiu uma argumentação parecida e foi expulso da empresa. Ambos foram acusados de defenderem agendas de discriminação. De um olhar sistemático, não houve defesa alguma de discriminação. O que houve em ambos os casos foi uma tentativa de descrever mecanisticamente o cenário de mais homens e menos mulheres (e vice-versa) em determinadas áreas. Um olhar mais empático sobre essa situação acaba dividindo o dilema em vilões e mocinhos, o que nesse caso leva a pânico moral desnecessário.
Além da sobreposição entre feminização da universidade e perfil dos indivíduos atraídos para a esquerda política, tem a própria influência dos conteúdos de esquerda nas universidades. Falei mais sobre isso aqui https://www.xibolete.org/p/o-progressismo-na-academia-e-uma
A natureza da realidade talvez não seja um debate que importe aqui. O que creio que conte mais é o ângulo de visão pertinente pra analisar e responder cada tipo de pergunta. Por exemplo, se você precisa resolver um problema no seu computador, empatia provavelmente não vai funcionar. Se você precisa resolver um problema Interpessoal, depende, você pode estar de frente pra um problema prático, humano ou um pouco dos dois. Problemas acadêmicos, em geral, não são problemas do tipo "empatia". Por exemplo, se estivermos discutindo quem estava certo, Aristóteles x Platão, Medievais x Modernos, Freud x Jung e assim por diante, empatia ou qualquer coisa do tipo não vai funcionar. Estaremos usando espada numa luta de boxe.
Ultimamente, por várias questões, dentre elas a feminização da universidade, estão sendo reformatadas para questões do tipo empatia e política. A disputa não é mais sobre argumentos, é sobre qual autor é menos machista ou qual é mais de esquerda e etc. Isso poderia ser analisado, claro, mas respostas com esses conteúdos são usadas frente a perguntas que nada têm a ver com essas questões.
Repito, isso não é um dilema tão profundo quanto a natureza da realidade.
Ironicamente, algumas mulheres são menos abertas ao diálogo ou a divergência do que muitos homens, muitas delas encaram uma discordância intelectual como uma afronta ou ofensa pessoal, e isso é bizarro, já vi isso acontecer por diversas vezes mesmo aqui nessa rede por exemplo. Claro, existem exceções, e só o fato de ser necessário dizer que existem exceções já é um sintoma de tudo isso, porque não se pode omitir opinião sem ter que ficar se desculpando por fazer isso.
Também já reparei isso. Um exemplo análogo a isso é o dar artes marciais. Eu pratico seguramente há 20 anos. Mulheres sempre estão entre as quem mais reclamam quando são acertadas, mesmo que de leve, numa luta de mais contato. Homens podem até se irritar, mais me parece que encarnam melhor o espírito do contexto -- em que é inevitável levar umas bordoadas. Lembro de uma vez que uma mulher nunca mais voltou na academia depois de treinar comigo. Eu treinei com todos religiosamente da mesma maneira. Chegou nela, eu toquei na testa dela duas vezes pra mostrar que a defesa estava vulnerável. Ela veio pra cima de mim me rebocando e depois foi reclamar com o professor.
Creio que o algoritmo por trás seja o mesmo dos contextos de debate acadêmico ou online. Isso provavelmente tem a ver com algum tipo de configuração padrão feminina pra moralizar debates, sei lá.
E, antes que venha algum cri-cri aqui: não estou alegando que mulheres são irracionais e etc. Provavelmente homens são igualmente irracionais no saldo geral. O que estou alegando é que homens e mulheres provavelmente funcionam por jogos de incentivos diferentes. Isso os faz priorizar formas diferentes de pensar sobre uma mesma situação.
Não sei se é mais comum em mulheres, mas o exemplo análogo seria a situação em que, num debate, um indivíduo tenta ser o Spock racional e o outro indivíduo tenta ser aquele que diz "mas isso é PO-LÍ-TI-CO!". Não tem a ver com racionalidade ou irracionalidade em termos de capacidade, tem a ver com a marcha que a pessoa passa, digamos assim, no motor mental dela. Isso dita se ela vai analisar o assunto por uma chave vulcana, política ou sentimental.
Existe alguma proposição para conciliar a liberdade de discussão sobre verdades produzidas na academia com a inclusão e atento às consequências humanas do conhecimento?
As duas coisas sempre tiveram espaço nas universidades. Existem as pessoas interessadas em ver até o conhecimento puro pode ir e as pessoas interessadas em sua aplicação. Essa aplicação pode melhorar a vida das pessoas. Não há nenhum problema nisso. O problema é que, especialmente nas ciências humanas e sociais, conhecimento virou quase sinônimo de preocupação com pessoas vulneráveis. Não há qualquer problema em se preocupar com vulneráveis. Isso em si é ok demais. A questão é usar essa preocupação para minar a outra faceta do conhecimento que necessita da ausência de tabus para sobreviver.
Eu diria que tem espaço pra todo mundo dentro dessas condições.
Ah, algo importante também: na maioria das vezes não estamos nem mesmo falando de vulnerabilidades reais compatíveis com o pânico moral em cima do tema censurado. Na maioria das vezes estamos falando de pessoas com um certo temperamento paranoico que se sentem muito ofendidas e imaginam todo tipo de consequência catastrófica diante de uma simples pesquisa sobre diferenças sexuais, por exemplo.
Claro, mas o problema continua sendo outro. A empatia não está fazendo um bom trabalho se com isso o sistema pune ou censura autores de pesquisas que mostram resultados inconvenientes para grupos considerados sensíveis, vítimas, oprimidos e etc. A função da pesquisa não é agradar ou beneficiar grupos. Nesse caso, estamos falando de um mal emprego da empatia. Não podemos absolutizar a empatia como algo bom. Ela pode servir a propósitos completamente incompatíveis com a lógica do contexto em questão.
Ser empático é legal, mas não adianta virar uma pessoa intelectualmente corrupta por causa disso.
"O conflito aberto, antes tratado como motor do progresso intelectual, passa a ser progressivamente reavaliado à luz de seus custos sociais e psicológicos."
Aí depende do conflito, né? Quando o conflito mexe com privilégios do patriarcado, quando confrontamos com palavras, aqui nessa rede mesmo, aí não é visto como um motor do progresso intelectual. Aí não pode, né?
Homens discutindo=conflito saudável em busca da verdade
Você está sutilmente caindo no mesmo erro interpretativo da leitora que respondi ainda a pouco. O que está em jogo aqui não é a capacidade intelectual feminina para argumentar racionalmente ou para se engajar em competições argumentativas. É óbvio que mulheres têm essa capacidade. Isso nem deveria ser mais um debate.
A questão aqui é o trade-off feito por homens e mulheres em contextos que batem em suas prioridades motivacionais. Nessa situações, mulheres vão dar mais importância a análises morais e proteção de vulneráveis e isso vai interferir (como já interfere e qualquer um que não está com a cabeça enterrada num buraco percebe isso) na produção de conhecimento.
Você pontuou, se entendi bem, sobre a não consideração de mulheres discutindo sistematicamente sobre patriarcado. Questionando analiticamente os privilégios masculinos e etc. Isso não seria uma negação do que estou falando? Tipo, estão aí as mulheres argumentando, chamando pro pau intelectual e geral refugando como cavalos assustados.
Bom, nesse caso, o problema é outro. O que vejo é muitas pessoas DISCORDANDO de muitos desses argumentos. Aqui nesse nível de análise já saímos do proteção x argumentação e já entramos no argumento bom x argumento ruim (não estou particularmente julgando nada como bom ou ruim, to falando que a motivação de qualquer debate é essa, mostrar que um argumento é bom e outro é ruim, e isso já entra em outro tema que não é o do texto).
Uma coisa que me chamou atenção é que nesse caso aí do patriarcado as mulheres estão entrando na briga epistêmica pra falar de privilégios, justamente o tipo de ângulo que costuma ser muito mais guiado por análises morais, ressentimentos e motivações protetivas.
Admiro a paciência. É difícil hoje em dia dizer o óbvio, que mulheres e homens são diferentes e portanto tem prioridades e comportamentos diferentes. Ao rejeitar engajar de forma racional com o conteúdo do artigo e com os estudos providenciados, só comprovam aquilo que buscam negar.
Que esforço sobrenatural para argumentar que a universidade perdeu rigor científico porque as mulheres hoje são maioria - já que, segundo seu texto, estas preferem ser boazinhas a terem rigor científico. Sério? Fico me perguntando COMO elas se tornaram maioria. Tão curioso. E desonestidade intelectual é característica exclusivamente feminina, masculina, ou essa independe de gênero? Lembro de, nos idos de 1991, na faculdade de Jornalismo, a velha ECA-USP, um colega se levantar no meio de uma palestra e vociferar que a essência do jornalismo estava se diluindo porque o setor estava sendo dominado por mulheres (o que, vejam só, também era verdade).. Rimos muito. Pensávamos que seria da últimas vezes que ouviríamos uma bobagem desse tamanho dentro de uma universidade, esse nível de coitadismo masculino. Nope. Décadas depois, vocês continuam.
Ah, aliás, uma observação muito interessante que confirma plenamente os vieses que frequentemente manifestamos ao pensar num contexto A prejudicando homens ou prejudicando mulheres.
Veja bem, muitas pautas atualmente falam sobre a necessidade de aumentar a quantidade de mulheres em áreas dominadas quantitativamente pelo sexo masculino. Quando fala-se de áreas dominadas pelo sexo feminino, algumas mulheres imediatamente se rebelam, classificando a mera pontuação desse fato sociodemográfico de "coitadismo masculino". Só que não é coitadismo, é a mera explicitação de um fato quantitativo. É como se não só as mulheres mas a sociedade como um todo considerasse uma ofensa a mera citação de um fato.
Esse também é um excelente exemplo de como as mulheres especialmente colocam fatos em segundo plano quando elas entendem que na discussão em questão esses fatos vão prejudicar um grupo vulnerável.
E sinceramente, isso não confirma nada plenamente fora da sua retórica.
Acompanha comigo. No cenário A, homens estão em maior quantidade. As pessoas protestam, defendem igualdade, defendem métodos diversos pra aumentar artificialmente a quantidade de mulheres até ficar 50/50.
Agora considere o cenário B. Mulheres estão em maior quantidade. Ninguém exige que aumentem a quantidade de homens. Quando o mero fato quantitativo é mencionado, ouve-se brados como "coitadismo masculino!".
Que conclusões vc tira dessa comparação?
A questão aqui não é questionar o número. Você sabe. Quando homens estão em maior número, o que se questiona é se as mulheres igualmente competentes estão tendo as mesmas oportunidades de acesso. Quando as mulheres estão em maior, a competência delas é posta em cheque por uma possível natureza emocional, creditada a uma "verdade biológica inexorável", que colocaria em risco todo o sistema. É uma diferença clara.
Isso que vc falou na verdade seria uma pauta número 2. Sinceramente, eu todo dia vejo pessoas questionando se a menor quantidade de mulheres numa área não seria reflexo de misoginia. Eu ouço isso dos alunos em aula, ouço isso de colegas psicólogos e cientistas sociais, vejo isso em discursos políticos e etc. Então ler seu argumento de que essa não é a questão me soa super estranho.
Não, a questão é que creio que temos conceitos diferentes de misoginia e de combate à mesma. Para mim, o conceito de misoginia passa por entender que essa quantidade muito menor tem muita mais a ver com o gênero ser um critério silencioso de seleção (a misoginia, como o racismo, é muito silenciosa, não consta em editais, mas é muito executada na prática). Combater a misoginia não é simplesmente defender uma porcentagem feminina x, independiente das habilidades. Até porque habilidade é uma questão individual, que não contempla gênero ou etnia, mas muitas vezes, oportunidades. Um bloqueio velado ao acesso - muitas vezes até difícil de ver do ponto de vista masculino, como o branco muitas vezes têm dificuldade de ver seu preconceito. E sim, quando um modo de realizar qualquer atividade é enquadrado como feminino ou masculino, isso é uma distinçäo que tenta dar base lógica a um preconceito.
Eu realmente não creio que vincular pensamento e comportamento ao gênero seja um fato. Creio que existam comportamentos socialmente mais aceitos para determinados grupos, mas não que sejam algo inexorável ou dominante. Em quinze anos dentro da academia, eu já vi todo tipo de postura ética e social de diferentes professores, de ambos os gêneros. Não, nem sempre o das mulheres eram os melhores e mais exemplares. Sem querer nem tentar ser científica ou estatística, eu percebia maiores diferenças entre professores de difereentes nacionalidades que de diferentes gëneros. E creio que em ambos os casos isso é convencional, não determinante.
As diferenças entre acadêmicos são de vários tipos. Mas esse texto é sobre um tipo específico de diferença: as motivações para defender fatos, números e conhecimentos mesmo quando eles são inconvenientes para certos grupos. As mulheres parecem tender mais do que os homens a escolher a parte política em detrimento da epistemica quando percebem algum tipo de ameaça a esses grupos. Isso não significa que todos os vieses acadêmicos se resumem a isso e nem que no geral mulheres sejam mais enviesadas do que homens.
Tanto não argumento por perda de rigor quanto previno o leitor desse tipo de interpretação. Mais mulheres na universidade significa que as regras acadêmicas, ou pelo menos algumas inclinações da instituição, vão ficar mais inclinadas para as preferências e motivações femininas. Isso chega a ser uma platitude, de tão óbvio. Aliás, as próprias mulheres reconhecem isso quando alegam que se o mundo fosse dominado por mulheres não haveria guerras. Isso é o que senão o reconhecimento de que a maior quantidade de um sexo em postos de poder ou sociodemograficamente influencia o funcionamento das instituições? Todos reconhecem isso em contextos argumentativos onde o objetivo é beneficiar o sexo feminino.
Desnecessário aqui argumentar que em momento nenhum também falei de desonestidade intelectual como algo tipicamente feminino. Na verdade, eu nem falei de desonestidade intelectual aqui.
Voltando ao foco: mulheres podem ser rigorosas intelectualmente em relação aos assuntos que não despertam cognição motivada nelas. Por exemplo, as mulheres serão tão boas estatísticas quanto homens -- mas quando essas estatísticas tiverem resultados diplomaticamente complicados, veja bem, talvez não seja tão legal assim fazer esses estudos ou divulgar esses dados porque pode ser tópico sensível para o grupo X.
O meu argumento aqui (na verdade não meu, mas da literatura sobre esse tema) gira em torno de indicar que as mulheres fazem cálculos de custo-benefício diferentes quando elas devem escolher entre análise cega e fria e proteção de indivíduos vistos como vulneráveis.
Se você acha que tudo isso é teoria da conspiração, sugiro que clique nos estudos empíricos linkados toda vez que escrevo textos aqui.
A verdade a qualquer custo ou a empatia parcial? Dando a minha péssima opnião, pior são os indivíduos do sexo masculino que insistem em dizer que as mulheres estão muito promíscuas ou que sempre concordam com opnião de indivíduos do sexo feminino tanto por repressão de comportamento quanto por interesse de troca. Por ainda sustentarem a manutenção de poderes machistas sobre movimentos que promovem a igualdade de gênero. Na academia é essencial haver a liberdade de expressão sem censura. Porém, como menciona a Bruxa que observa ao sul, os meios dignificam as finalidades. Há o fato de que as mulheres representam maioria nos cursos de graduação. Para completar ainda, há também a hipótese da neurociência de que escolhas intelectuais se relacionam com o hemisfério afetivo dos indivíduos. Talvez a contemporaneidade esteja do lado da degeneração. O essêncialismo, com todo respeito, privilegia a manutenção de domínios machistas ou patriarcais. Agora eu vou puxar o Nietzche (sei lá como escreve esse nome em alemão), o idealismo hierarquiza ideias sobre os fenomenos reais. A gente, que está dimensionado dentro do contexto dos fenomenos reais, modifica as ideias e até mesmo as instituições que resguardam qualquer que sejam as ideias.
Você poderia dizer exatamente onde está o essencialismo da tese apresentada?
A tese apresentada não contém essa determinação, tudo bem? Os dados empíricos que foram apresentados na tese ajudam a entender o fenômeno real de modificação da estrutura, da organização acadêmica. Fez bem...
Bom texto, achei breve e bem sintético, é um tema bem espinhoso que se embrenha em vários outros debates, mas gostei. Em outro momento darei uma olhada nas fontes
Boa. Pode me dizer o que achou, se quiser.
Muito intressante seu artigo e também muito pertinente. Existe um movimento da cena acadêmica em direção a busca de espaços seguros, respeito a minorias, etc (todas estas reivindicações com mérito) ms causa preocupação até que ponto um dos resultados disto (mesmo que indireto ou inadvertido) coloque em xeque a própria razão da existência de uma universidade: a busca pela verdade.
Sempre achei (uma intuição não embasada) que a causa de tudo isto era uma penetração cada vez maior do ideário de esquerda no ambiente acadêmico mas sua proposta me fez repensar tudo.
E identificar com precisão a causa não é um exercício fútil: é a forma de encontrar formas de reverter esta perversão (ok, palavra muito forte).
A situação atual das universidades se deve a um conjunto muito complexo de fatores. Um desses fatores claramente tem a ver com a diversidade sociodemográfica crescente. Não estou dizendo que a racionalidade é privilégio dos homens, estou dizendo que diferentes grupos, embora igualmente capazes de levar debates analíticos e racionais, estão distintamente motivados a levar a conversa para essa arena. Por exemplo: como digo no texto, mulheres claramente estão mais motivadas em proteger seus pares do que em levar debates racionais às últimas consequências, doa a quem doer.
Em debates na academia e internet afora, percebo que mulheres -- e pessoas de esquerda em geral -- estão muito mais motivadas a debater tendo como objetivo a proteção de algum grupo vulnerável. Elas querem desculpar alguém, encontrar o culpado e puni-lo. É uma ótica mais "humana" de olhar pra complexa dinâmica dos acontecimentos no reino humano.
Eu citei a esquerda aqui não foi por acaso. Pessoas mais politicamente de esquerda -- ao menos de algumas décadas pra cá -- tendem a valorizar imperativos morais relacionados justamente com essa ótica de justiça individual. Digamos que eles estão menos interessados em entender algo factualmente, como uma máquina cujo funcionamento entendemos decifrando a interação entre suas engrenagens, e mais interessados na ótica da justiça. Como se dissessem: tá, isso funciona de um jeito X e Y, mas quem é o culpado e quem é o inocente nessa história?
Previsivelmente, isso muda totalmente a essência da produção de conhecimento acadêmico.
Repito que isso não tem a ver com inteligência, desempenho cognitivo ou racionalidade. Não estou alegando que mulheres são menos racionais. Estão alegando que o aumento de mulheres na academia fez com que os focos das discussões se tornassem menos motivacionalmente masculinos, afinal, agora não são apenas acadêmicos participando das discussões. As motivações de homens e mulheres impactam totalmente o que se discute e as respostas as quais chegamos.
Aliás, um exemplo muito claro disso é a demissão do reitor de Harvard, Larry Summers, se não me engano, depois de ter dito num evento que parte significativa do gap de gênero em alguns cursos se deve a interesse de homens e mulheres e entrarem nesses cursos, não a discriminação de gênero exatamente. Destino parecido teve James Damore, o engenheiro do Google que construiu uma argumentação parecida e foi expulso da empresa. Ambos foram acusados de defenderem agendas de discriminação. De um olhar sistemático, não houve defesa alguma de discriminação. O que houve em ambos os casos foi uma tentativa de descrever mecanisticamente o cenário de mais homens e menos mulheres (e vice-versa) em determinadas áreas. Um olhar mais empático sobre essa situação acaba dividindo o dilema em vilões e mocinhos, o que nesse caso leva a pânico moral desnecessário.
Além da sobreposição entre feminização da universidade e perfil dos indivíduos atraídos para a esquerda política, tem a própria influência dos conteúdos de esquerda nas universidades. Falei mais sobre isso aqui https://www.xibolete.org/p/o-progressismo-na-academia-e-uma
E se, de repente, só por acaso, a própria realidade não for mecânica?
A natureza da realidade talvez não seja um debate que importe aqui. O que creio que conte mais é o ângulo de visão pertinente pra analisar e responder cada tipo de pergunta. Por exemplo, se você precisa resolver um problema no seu computador, empatia provavelmente não vai funcionar. Se você precisa resolver um problema Interpessoal, depende, você pode estar de frente pra um problema prático, humano ou um pouco dos dois. Problemas acadêmicos, em geral, não são problemas do tipo "empatia". Por exemplo, se estivermos discutindo quem estava certo, Aristóteles x Platão, Medievais x Modernos, Freud x Jung e assim por diante, empatia ou qualquer coisa do tipo não vai funcionar. Estaremos usando espada numa luta de boxe.
Ultimamente, por várias questões, dentre elas a feminização da universidade, estão sendo reformatadas para questões do tipo empatia e política. A disputa não é mais sobre argumentos, é sobre qual autor é menos machista ou qual é mais de esquerda e etc. Isso poderia ser analisado, claro, mas respostas com esses conteúdos são usadas frente a perguntas que nada têm a ver com essas questões.
Repito, isso não é um dilema tão profundo quanto a natureza da realidade.
Ironicamente, algumas mulheres são menos abertas ao diálogo ou a divergência do que muitos homens, muitas delas encaram uma discordância intelectual como uma afronta ou ofensa pessoal, e isso é bizarro, já vi isso acontecer por diversas vezes mesmo aqui nessa rede por exemplo. Claro, existem exceções, e só o fato de ser necessário dizer que existem exceções já é um sintoma de tudo isso, porque não se pode omitir opinião sem ter que ficar se desculpando por fazer isso.
Também já reparei isso. Um exemplo análogo a isso é o dar artes marciais. Eu pratico seguramente há 20 anos. Mulheres sempre estão entre as quem mais reclamam quando são acertadas, mesmo que de leve, numa luta de mais contato. Homens podem até se irritar, mais me parece que encarnam melhor o espírito do contexto -- em que é inevitável levar umas bordoadas. Lembro de uma vez que uma mulher nunca mais voltou na academia depois de treinar comigo. Eu treinei com todos religiosamente da mesma maneira. Chegou nela, eu toquei na testa dela duas vezes pra mostrar que a defesa estava vulnerável. Ela veio pra cima de mim me rebocando e depois foi reclamar com o professor.
Creio que o algoritmo por trás seja o mesmo dos contextos de debate acadêmico ou online. Isso provavelmente tem a ver com algum tipo de configuração padrão feminina pra moralizar debates, sei lá.
E, antes que venha algum cri-cri aqui: não estou alegando que mulheres são irracionais e etc. Provavelmente homens são igualmente irracionais no saldo geral. O que estou alegando é que homens e mulheres provavelmente funcionam por jogos de incentivos diferentes. Isso os faz priorizar formas diferentes de pensar sobre uma mesma situação.
Não sei se é mais comum em mulheres, mas o exemplo análogo seria a situação em que, num debate, um indivíduo tenta ser o Spock racional e o outro indivíduo tenta ser aquele que diz "mas isso é PO-LÍ-TI-CO!". Não tem a ver com racionalidade ou irracionalidade em termos de capacidade, tem a ver com a marcha que a pessoa passa, digamos assim, no motor mental dela. Isso dita se ela vai analisar o assunto por uma chave vulcana, política ou sentimental.
Existe alguma proposição para conciliar a liberdade de discussão sobre verdades produzidas na academia com a inclusão e atento às consequências humanas do conhecimento?
As duas coisas sempre tiveram espaço nas universidades. Existem as pessoas interessadas em ver até o conhecimento puro pode ir e as pessoas interessadas em sua aplicação. Essa aplicação pode melhorar a vida das pessoas. Não há nenhum problema nisso. O problema é que, especialmente nas ciências humanas e sociais, conhecimento virou quase sinônimo de preocupação com pessoas vulneráveis. Não há qualquer problema em se preocupar com vulneráveis. Isso em si é ok demais. A questão é usar essa preocupação para minar a outra faceta do conhecimento que necessita da ausência de tabus para sobreviver.
Eu diria que tem espaço pra todo mundo dentro dessas condições.
Ah, algo importante também: na maioria das vezes não estamos nem mesmo falando de vulnerabilidades reais compatíveis com o pânico moral em cima do tema censurado. Na maioria das vezes estamos falando de pessoas com um certo temperamento paranoico que se sentem muito ofendidas e imaginam todo tipo de consequência catastrófica diante de uma simples pesquisa sobre diferenças sexuais, por exemplo.
Breve pesquisa em alguma inteligência artificial proposicionou o seguinte:
✔ Expandir quem participa da produção do conhecimento;
✔ Tornar explícitas as consequências das ideias;
✔ Incorporar responsabilidade ética no processo científico;
✔ Reconhecer pluralidade de saberes;
✔ Manter o debate aberto, mas não indiferente ao sofrimento humano.
Claro, mas o problema continua sendo outro. A empatia não está fazendo um bom trabalho se com isso o sistema pune ou censura autores de pesquisas que mostram resultados inconvenientes para grupos considerados sensíveis, vítimas, oprimidos e etc. A função da pesquisa não é agradar ou beneficiar grupos. Nesse caso, estamos falando de um mal emprego da empatia. Não podemos absolutizar a empatia como algo bom. Ela pode servir a propósitos completamente incompatíveis com a lógica do contexto em questão.
Ser empático é legal, mas não adianta virar uma pessoa intelectualmente corrupta por causa disso.
"O conflito aberto, antes tratado como motor do progresso intelectual, passa a ser progressivamente reavaliado à luz de seus custos sociais e psicológicos."
Aí depende do conflito, né? Quando o conflito mexe com privilégios do patriarcado, quando confrontamos com palavras, aqui nessa rede mesmo, aí não é visto como um motor do progresso intelectual. Aí não pode, né?
Homens discutindo=conflito saudável em busca da verdade
Mulheres discutindo=loucas encrenqueiras
🤡👌🏼
Você está sutilmente caindo no mesmo erro interpretativo da leitora que respondi ainda a pouco. O que está em jogo aqui não é a capacidade intelectual feminina para argumentar racionalmente ou para se engajar em competições argumentativas. É óbvio que mulheres têm essa capacidade. Isso nem deveria ser mais um debate.
A questão aqui é o trade-off feito por homens e mulheres em contextos que batem em suas prioridades motivacionais. Nessa situações, mulheres vão dar mais importância a análises morais e proteção de vulneráveis e isso vai interferir (como já interfere e qualquer um que não está com a cabeça enterrada num buraco percebe isso) na produção de conhecimento.
Você pontuou, se entendi bem, sobre a não consideração de mulheres discutindo sistematicamente sobre patriarcado. Questionando analiticamente os privilégios masculinos e etc. Isso não seria uma negação do que estou falando? Tipo, estão aí as mulheres argumentando, chamando pro pau intelectual e geral refugando como cavalos assustados.
Bom, nesse caso, o problema é outro. O que vejo é muitas pessoas DISCORDANDO de muitos desses argumentos. Aqui nesse nível de análise já saímos do proteção x argumentação e já entramos no argumento bom x argumento ruim (não estou particularmente julgando nada como bom ou ruim, to falando que a motivação de qualquer debate é essa, mostrar que um argumento é bom e outro é ruim, e isso já entra em outro tema que não é o do texto).
Uma coisa que me chamou atenção é que nesse caso aí do patriarcado as mulheres estão entrando na briga epistêmica pra falar de privilégios, justamente o tipo de ângulo que costuma ser muito mais guiado por análises morais, ressentimentos e motivações protetivas.
Admiro a paciência. É difícil hoje em dia dizer o óbvio, que mulheres e homens são diferentes e portanto tem prioridades e comportamentos diferentes. Ao rejeitar engajar de forma racional com o conteúdo do artigo e com os estudos providenciados, só comprovam aquilo que buscam negar.